Estudar as nossas raízes faz parte de um processo de autoconhecimento...

Estudar as nossas raízes faz parte de um processo de autoconhecimento...
Pretende-se que este blogue se materialize num importante contributo para o estudo das famílias do Alentejo, com especial incidência nas zonas de Borba, Estremoz, Vila Viçosa, Alandroal e Redondo.





“A genealogia não deverá tornar-se num processo dissimulado de busca obsessiva por gente nobilitada, socialmente distinta, mas antes como um veículo facilitador do conhecimento e apropriação do modo de vida daqueles que, independentemente do seu estatuto social e da sua condição económica, representaram o elo de uma corrente - a mesma que só tomou forma porque cada elo esteve em dado momento no seu lugar, com maior ou menor bravura, maior ou menor sofrimento e espírito de sacrifício, mais ou menos propósito, simplesmente teve a nobreza e o dom, que mais não fosse, da sua própria existência… e creiam que à medida que vou envelhecendo, vou proporcionalmente tomando maior consciência da importância e necessidade de “genealogia” e “humildade” caminharem sempre de mãos dadas…”

__________________________________________________________________________ O Autor





Ficalho

Primeira Geração

      1. Joaquim de Sousa Ficalho nasceu em M Borba.
Joaquim casou-se com Ana Justina. Ana nasceu em M Alandroal.

Eles tiveram os seguintes filhos

+          2 M        i.  José Maria de Sousa Ficalho.
               3 F        ii.  Teresa Ignácia Sousa ficalho.
Teresa casou-se com Manuel dos Reis em 1828 em M Alandroal.






Segunda Geração

      2. José Maria de Sousa Ficalho (Joaquim de Sousa Ficalho) nasceu em M Alandroal.
José casou-se com Maria da Graça em 1822 em S Bartolomeu Borba. Maria nasceu em Niza.

Eles tiveram os seguintes filhos

               4 M        i.  Miguel Maria Sousa Ficalho nasceu em 13.maio.1834 em S Bartolomeu Borba.
Miguel casou-se com Maria Luiza Manhozo em 1854 em S Bartolomeu Borba.
               5 M       ii.  Joaquim Maria Graça Ficalho.
Joaquim casou-se com Joana Conceição Matatão em 1861 em M Alandroal.
               6 F       iii.  Joana do Carmo Sousa Ficalho nasceu em 04.fevereiro.1838 em S Bartolomeu Borba.
Joana casou-se com Manuel do Carmo Frasco Carvalho em 1856 em S Bartolomeu Borba. Manuel nasceu em M Borba.




Desta família descende o fadista borbense João Ficalho



João Ficalho - Fadista Alentejano de Borba

João Manuel  Compoête  Ficalho , nasceu no Alentejo na cidade de  Borba, no dia 6 de Março de 1951.
Desde muito novo,,tomou gosto pela música de tal modo que improvisava baterias musicais no
balcão da taberna de que o pai era proprietário.  O bombo eram garrafões, as panelas  os tachos  e as tampas  dos mesmos, as baquetas eram as colheres, garfos e facas compunham, era assim  a sua imaginária bateria.
O pai, Miguel Ficalho tocava guitarra, e  vendo o gosto que o filho tinha pela música  resolveu mandá-lo aprender a tocar guitarra, mas o  jovem João, como o professor também dava aulas de viola,  é por este instrumento que se sente atraído, com alguma decepção no inicio  pela parte do  pai, mas passados poucos meses já o João o acompanhava.
Tinha oito anos quando os elementos da  conferências de S. Vicente Paulo, de Borba, organizaram um espectáculo  no Cine-Teatro de Borba, e o João alcançou enorme êxito ao  cantar um tema que ainda hoje é de referência quando pisa palcos, “Vila de Borba”.
A vida na terra não era fácil e os pais quando fez 13 anos mandaram-no para  Lisboa-Moscavide, ficando a cargo de familiares,  para começar a trabalhar.
Deixa de poder  dedicar-se de alma e coração ao instrumento e à música de que tanto gostava.
Aos 17  anos, volta para Borba, e logo  se integra no grupo musical 1X2, como viola
e vocalista. Quando o grupo não tem actividade, actua em simultâneo em vários tipos de festas com o teclista João Varela, com quem já mantinha uma  grande amizade.        
Aos  19 anos cantava  e  tocava  a solo,  animando festas,  realizando alguns espectáculos e   convívios amigáveis.
Ainda com 19 anos  casou com a jovem  Nazaré , que lhe deu três filhos
É chamado para cumprir o serviço militar e foi mobilizado  para a Guiné, onde se mantém de
Janeiro de 1973 a Maio de 1974. Mas na Guiné continua a sua progressão na música, fez parte do grupo musical da Polícia Militar como viola ritmo e vocalista, foi convidado a cantar em directo à rádio de Bissau, a sua actuação não passou despercebida ao proprietário do Bar Gato Negro, que logo o contrata, passando a fazer parelha com o seu amigo João Varela.
Ferido em serviço é evacuado para o continente e internado no  Hospital Militar à  Estrela onde permaneceu durante 3 meses.        
Passa à disponibilidade e de volta a Borba integrou o grupo musical Star Melodia de Vila Viçosa, durante 12 anos, sem nunca deixar de realizar espectáculos de fados.
Mais tarde, e após a extinção deste último grupo musical, fez parte do grupo de Borba Honda-Média, sempre com o fado a ser aquilo que mais gostava de cantar.
Em 1990 começa a compor poemas e a musicar, tornando-se sócio da Sociedade Portuguesa de Autores, onde foi registando os seus trabalhos, e passa a dedicar-se única e exclusivamente ao fado, cantando e tocando na sua viola.
Os  anos passam, continua a escrever, mas guarda os seus poemas e músicas numa "caixa de papelão".
Foi convidado a  participar no CD de homenagem ao João Rita com 3 poemas de sua autoria, onde também participaram o filho Joaquim Ladeiras e D. Vicente da Câmara.
Em 1996 surge um projecto para formar o Grupo Delta por iniciativa do Sr. Comendador Rui Nabeiro, que se tornou realidade no mesmo ano, estando ainda no activo sempre que é solicitado.
Entretanto, vai  levando o nome de Borba por todo o Alentejo, e a outros locais, tais como Espanha, Bélgica, onde cantou ao lado de grandes nomes do fado e da música portuguesa, esteve também na Finlândia, mas a tocar viola, acompanhando João Tenreiro, lembrando sempre com saudade os nomes do Tóquim, Carlos Zel e Maria Leopoldina da Guia, entre outros.       
Em Março de 2006, decide  editar um CD, com os poemas e músicas que vinha arquivando na sua"caixa de papelão". Fez mais poemas, dedicados  a amigos e familiares, e é  neste contexto que surge o projecto, "Orgulhoso por ti, Vila de Borba”.
Em  Março de 2010, celebra 40 anos a cantar os mais variados géneros de música, rodeado por todos aqueles que o acompanharam e partilharam os bons e os maus momentos ao longo da sua carreira, enquanto amador.
A 30 de Outubro de 2010, apresenta o seu segundo CD “ Fados Novos”.  A modéstia, simplicidade e amizade são marcas do João Ficalho. O apoio, o carinho, as palavras de conforto foram referências que nunca  lhe faltaram.  Não sendo de admirar, a grande afluência de grande parte dos seus amigos, assim como, de grupos musicais,  música de baile, de música de ambiente,  das fadistices e das boémias.

Já conheço há uma série de anos o João Ficalho, já actuámos os dois, e agora aqui estou com muito gosto a apresentá-lo no meu blogue.
Tive o grato prazer de lhe realizar dois video-clips, que espero que apreciem este grande (compadre) fadista alentejano.

Vítor Marceneiro

(In, http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/tag/jo%C3%A3o+ficalho)

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