Estudar as nossas raízes faz parte de um processo de autoconhecimento...

Estudar as nossas raízes faz parte de um processo de autoconhecimento...
Pretende-se que este blogue se materialize num importante contributo para o estudo das famílias do Alentejo, com especial incidência nas zonas de Borba, Estremoz, Vila Viçosa, Alandroal e Redondo.





“A genealogia não deverá tornar-se num processo dissimulado de busca obsessiva por gente nobilitada, socialmente distinta, mas antes como um veículo facilitador do conhecimento e apropriação do modo de vida daqueles que, independentemente do seu estatuto social e da sua condição económica, representaram o elo de uma corrente - a mesma que só tomou forma porque cada elo esteve em dado momento no seu lugar, com maior ou menor bravura, maior ou menor sofrimento e espírito de sacrifício, mais ou menos propósito, simplesmente teve a nobreza e o dom, que mais não fosse, da sua própria existência… e creiam que à medida que vou envelhecendo, vou proporcionalmente tomando maior consciência da importância e necessidade de “genealogia” e “humildade” caminharem sempre de mãos dadas…”

__________________________________________________________________________ O Autor





Vaza Farelães

Por: Luís Projecto Calhau
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I – Manuel de Farelães Serrão, nascido cerca de 1590 em Avis, filho de Álvaro da Vaza Farelães “o Velho” e de sua mulher Catarina Lopes (casados no Cano - Sousel a 19.8.1590), neto paterno de Manuel de Farelães e de Francisca de Torres, neto materno de Diogo Gomes e de Joana Lopes. Casou em 24.8.1611 na Matriz da referida vila de Avis com Cecília da Gama de Carvalho, de quem houve:

1 (II) Manuel, b. 19.1.1615 Avis.
2 (II) Catarina, b. 14.11.1626 Avis.
3 (II) Francisco da Gama Farelães, n. Avis, casou a 28.10.1636 na mesma freguesia com Leonor de Vide, filha de Fernão Rodrigues e de Inês Fernandes, todos da referida vila. Serviu como testemunha Álvaro da Vaza “o Moço”. Era tabelião de notas em 1676.
4 (II) Álvaro da Vaza Farelães, n. Avis, casou a 1.7.1646 em Avis com Paula das Neves de Lemos, filha de Luís Raposo e de Escolástica de Lemos. Terá contraído matrimónio, em segundas núpcias, com Francisca Tenreiro Manhãs, filha de Francisco Rodrigues “Alterado”, de alcunha, natural de Torres Novas, e de Joana Manhãs Tenreiro, natural de Fronteira, neta paterna de António Rodrigues “Alterado” e de Simoa Antunes Massano, neta materna de Lourenço Gonçalves Manhãs e de Francisca Tenreiro (esta, segundo as genealogias, seria filha de Fernão Gonçalves Tenreiro e de sua mulher Guiomar de Gouveia, sendo assim descendente, por varonia, de Diogo Lopes Tenreiro, que foi alcaide-mor da Corunha, Sr. de Villalba, Flôr de Betanzos e vila de Andrade, que terá herdado, certamente, de sua mulher Aldara Fernandes de Andrade, da notável família “Andrade” da Corunha). Tiveram os seguintes filhos[1]:

1 (III) Joana, b. 7.10.1669 em Avis pelo Pe. Frei Diogo de Quintano, assistindo como padrinho Lourenço de Abreu de Vasconcelos.
2 (III) Álvaro da Vaza Farelães, b. 5.1.1676 em Avis.
3 (III) Rev. Frei Francisco da Vaza Farelães, ao qual se referiu seu irmão, Pe. António da Vaza Farelães, no seu testamento. Faleceu antes de 1735.
4 (III) Rev. Frei António da Vaza Farelães, frei conventual no Real Convento de São Bento de Avis, habilitou-se a Familiar do Santo Ofício[2], faleceu em 1735 com testamento cerrado[3], fazendo-se sepultar na sepultura de seus antepassados, na igreja Matriz de Avis, nomeando sua tia Catarina Lopes Quintana e seu irmão Bento da Vaza Farelães.
5 (III) Bento da Vaza Farelães, que segue.
6 (III) Rev. Frei Lourenço da Vaza Farelães, n. Avis, que em 1686 solicitou uma petição para examinação do seu património e tomada de provisão do seu dote para se habilitar a Ordens Menores[4].

Segundo Baltazar Teixeira Pinheiro, de cerca de 70 anos, natural de Avis, que serviu de testemunha no processo de inquirição de genere do Rev. Frei Lourenço da Vaza Farelães:

“… ser o dito justificante cabra por parte de seu avô paterno, que era filho de Álvaro da Vaza o Velho, o qual disse o dito Baltazar Teixeira sempre ouvira dizer ser cabra, sem embargo de que também disse que os avós paternos e mãe do justificante, que ele conheceu e conhece, são tidos e havidos por limpos de sua geração e sangue.”[5]  

III – Bento da Vaza Farelães, b. 19.7.1679 em Avis, sendo padrinhos Inácio Freire e Beatriz Cabral, foi sargento-mor das Ordenanças da vila de Avis, faleceu com testamento cerrado[6] em 1736, nele nomeando, entre outro, seu irmão, o Reverendo Frei António da Vaza Farelães e sua tia Catarina Lopes Quintana[7].

Bento da Vaza Farelães casou com sua prima Helena Mendes da Gama, b. 27.11.1695 em Mourão, senhora de muitas fazendas, das famílias mais nobres da região, que se tratavam com escravos, filha de Fernando de Vargas Limpo, n. Monsaraz, e de Antónia da Rosa Limpo, b. 1669 em  Santo Antão – Évora (irmã do padre Francisco da Rosa Limpo[8]), neta paterna de Baltazar Limpo de Valadares (filho de Francisco Garducho e de Leonor de Álamo) e de Helena Mendes da Gama (filha de Fernão de Vargas e de Guiomar Coelho da Gama), ambos de Monsaraz, neta materna de Manuel da Rosa de Azevedo, n. Mourão, escrivão da Câmara de Mourão, alferes da bandeira da mesma vila e cavaleiro professo da Ordem de Cristo (filho de Fernando da Rosa e de Inês Gonçalves, ambos de Mourão), e de sua mulher Brites Moniz Limpo, n. Mourão (irmã de Pedro Moniz Limpo[9], ambos filhos de António Garducho Limpo e de Brites Moniz, naturais de Mourão).
Tiveram:

1 (IV) Álvaro da Vaza Farelães, nomeado no testamento de seu pai, como o filho mais velho.
2 (IV) Fernando da Vaza Farelães, nomeado no testamento de seu pai.
3 (IV) Joana Mendes da Gama Limpo, que segue.
4 (IV) Antónia Teresa da Gama, que foi nomeada no testamento de seu pai.
5 (IV) Pe. António José Limpo, que se habilitou de genere em 1750 para ser admitido a Ordens Menores[10].

IV – Joana Mendes da Gama Limpo, b. 12.7.1719 em Avis, sendo seus padrinhos José Pereira Garcês Freire e D. Joana Reimoa da Mata, e aí casou a 4.3.1737 com Manuel José de Albuquerque e Albergaria, n. Golegã, tabelião de Notas e do Judicial em Fronteira e seu termo em 1762, filho de José Duarte de Albuquerque e de D. Vicência de Azevedo e Casco. Tiveram, pelo menos, o seguinte filho:

1 (V) Francisco José de Albuquerque e Albergaria de Azevedo Casco Gama da Vaza Farelães, b. 7.7.1740 em Mourão[11], tendo como padrinhos o Dr. Francisco da Rosa Limpo e, por devoção, N.ª Sr.ª das Candeias, tocando com a prenda João Limpo Pimentel[12]. Casou com D. Ana Hipólita Eusébia de Aguiar, natural de Elvas (Assunção ou Alcáçova), filha de António Fernandes Cordeiro, n. Alcáçova – Elvas,  e de Bárbara Jacinta Ascênsia, n. S. Salvador - Elvas. Foram moradores na Rua do Cabrito, em Elvas, e tiveram:

1 (VI) Ana, n. 9.12.1771, b. 17.12.1771 em Alcáçova – Elvas.
2 (VI) Mariana, b. 19.7.1774 em Alcáçova – Elvas.
3 (VI) D. Maria Rosa de Albuquerque e Albergaria de Azevedo Casco Gama da Vaza Farelães, casou com Joaquim José Paulo Mexia, cirurgião, n. S. Salvador – Elvas, filho de José Caetano, n. Beja, e de Gracia Joaquina Mexia, n. S. Pedro – Elvas, e deles houve:

1 (VII) Diogo Paulino de Azevedo Casco da Gama Albergaria Albuquerque da Vaza Farelães, que serviu de padrinho no baptismo de seu irmão Manuel.
2 (VII) D. Domingas Rosa de Azevedo, que segue.
3 (VII) Catarina, b. 17.8.1805 em Assunção – Elvas.
4 (VII) Manuel, n. 7.11.1807, b. 16.11.1807 em Assunção – Elvas.

VII – D. Domingas Rosa de Azevedo, b. 20.2.1794 em Alcáçova – Elvas, casou a 12.4.1817 em S. Salvador – Elvas, com Tomás de Vila Nova, cabo da Esquadra do Regimento de Artilharia n.º 3, n. S. Salvador, filho de Anastácio da Cruz, n. Brinches – Serpa, e de Francisca de Jesus, n. Redondo. Deles houve:

1 (VIII) Maria da Conceição, n. 27.12.1831, b. 8.1.1832 em Assunção – Elvas, casou aos 31 anos, a 20.8.1863 na Matriz do Redondo, com Domingos Isidoro Penim, n. Redondo, filho de Isidoro de Jesus Prexeiro e de Maria Joana Penim, com descendência.




[1] Possivelmente seria também seu filho um, Francisco da Gama Farelães, natural de avis, que em 1683 recebeu alvará para escudeiro fidalgo, dado como filho de Álvaro da Vaza Farelães.
[2] IAN/TT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações Incompletas, doc. 827. (Documento em mau estado, retirado da leitura)
[3] IAN/TT, ADP, Ouvidoria da Comarca de Avis, Cx. 004 (Testamento e Codicilo Cerrados – Pe. Frei António da Vaza Farelães).
[4] IAN/TT, ADE, Processos Eclesiásticos, Sub-rogação de Património - Cxª 2, nº 26.
[5] IAN/TT, ADE, Processos Eclesiásticos, Sub-rogação de Património, Cx. 2, nº 26, fl. 5 v (Lourenço da Vaza Farelães).
[6] IAN/TT, ADP, Ouvidoria da Comarca de Avis, Cx. 007 (Testamento e Codicilo Cerrados – Bento da Vaza Farelães).
[7] Supõe-se que a referida Catarina Lopes Quintana seja a mesma que casou em Avis a 2.1.1672 com seu primo Manuel da Gama Farelães, por procuração passada a Diogo de Quintano (o registo de casamento não refere a filiação). Possivelmente a mesma Catarina, b. 29.2.1628 em Avis, filha de Diogo de Quintano e de Joana (de Sá ou Eça).
[8] IAN/TT, ADE, Processos eclesiásticos, Requisitórias, Cx. 19, nº 519.
[9] Que teve alvará em 1666 de 20$000 rs de pensão com o hábito de Santiago para quem casar com sua filha. (IAN/TT, Registo Geral de Mercês, Ordens Militares, liv.12, f. 373v-374)
[10] IAN/TT, ADE, Processos Eclesiásticos, Diligências de estilo, de vida e costumes - Cxª 7, nº 46
[11] IAN/TT, ADE, Registos Paroquiais, Mourão, L. 4, fl. 136.
[12] Recebeu Mercê de D. José I, em 1751, para o ofício de escrivão da Câmara da vila de Mourão. (IAN/TT, Registo Geral de Mercês de D. José I, Lv. 2, fl. 392). Em 1745 recebeu Mercê de D. João V com provisão de 12$000 rs de tença. (IAN/TT, Registo Geral de Mercês de D. João V, Lv. 36, fl. 107). Era filho de André Limpo de Oliveira e de Inácia Juliana Pimentel. Casou com Teresa Bernarda Joaquina de Miranda e Brito, filha de António Nunes de Miranda e de Catarina Nunes da Rosa, todos de Mourão. Seria, possivelmente, sobrinho do padre João Limpo de Oliveira, filho de André Limpo e de Antónia Vaz, que habilitou de Genere para tomar Ordens de Evangelho em 1646 (IAN/TT, ADE, Processos Eclesiásticos, Ordens de Evangelho, Cx. 18, n.º 174). Um seu homónimo terá requerido, em 1817, uma justificação de nobreza (IAN/TT, Feitos Findos, Justificações de Nobreza, Mç. 14, n.º 44).