Estudar as nossas raízes faz parte de um processo de autoconhecimento...

Estudar as nossas raízes faz parte de um processo de autoconhecimento...
Pretende-se que este blogue se materialize num importante contributo para o estudo das famílias do Alentejo, com especial incidência nas zonas de Borba, Estremoz, Vila Viçosa, Alandroal e Redondo.





“A genealogia não deverá tornar-se num processo dissimulado de busca obsessiva por gente nobilitada, socialmente distinta, mas antes como um veículo facilitador do conhecimento e apropriação do modo de vida daqueles que, independentemente do seu estatuto social e da sua condição económica, representaram o elo de uma corrente - a mesma que só tomou forma porque cada elo esteve em dado momento no seu lugar, com maior ou menor bravura, maior ou menor sofrimento e espírito de sacrifício, mais ou menos propósito, simplesmente teve a nobreza e o dom, que mais não fosse, da sua própria existência… e creiam que à medida que vou envelhecendo, vou proporcionalmente tomando maior consciência da importância e necessidade de “genealogia” e “humildade” caminharem sempre de mãos dadas…”

__________________________________________________________________________ O Autor





Curiosidades, contos e narrativas


verdade ou mentira...!

(Artigo publicado no fórum Lusophia)


_____________________________________________________________________

(Início de citação)

O mistério português do Delfim de França

Vitor Manuel Adrião

             Se houve episódio marcante que tenha levado à transformação radical do contexto sócio-político da Europa, dos últimos 200 anos para cá, sem dúvida que foi o da Revolução Francesa, desencadeada no Inverno de 9 de Novembro de 1779 e desfechada pouco depois da morte na guilhotina do rei Luís XVI e de rainha Maria Antonieta.
             Com efeito, diante da multidão enorme cega de excitação feroz alimentada pelo vendaval do Terror enraivecido exigindo vingança de morte aos antigos senhores, Luís XVI é guilhotinado num cadafalso levantado na Praça da Revolução, hoje da Concórdia, em Paris, a 21 de Janeiro de 1793, por decisão dos Montagnards regicidas que se opunham aos Girondinos que pretendiam salvar o rei, opção que custou a estes a sua extinção pela morte dos seus líderes sob a lâmina mortífera da guilhotina, de uso imparável pelos insaciáveis anti-Girondinos, os Jacobinos, cujo Clube tinha uma filial: a Sociedade Popular, que veio a executar Marat, idealista Montagnard.
             Após o monarca seguiu-se a condenação à morte, com rápida execução, da sua esposa Maria Antonieta, também em Paris, a 16 de Outubro de 1793.
             Até à data do começo da Revolução, a família real francesa tivera quatro filhos: Maria Teresa Carlota Capeto (1778-1851), Madame Royal e duquesa de Angoulême, que conseguiu escapar ao regicídio e à prisão; Luís José Xavier Francisco Capeto (1781-1789), 1.º Delfim de França que morreu precocemente; Luís Carlos Capeto (1785-?, a data oficial 1795 do seu desaparecimento não é certa), Duque da Normandia e futuro Luís XVII; Sofia Beatriz Capeto (1786-1787), falecida precocemente.
             Ora o Delfim Luís Carlos Capeto não subiu ao cadafalso, antes foi arrastado pelos revolucionários para a Bastilha, antiga Casa Forte da Ordem dos Templários convertida depois em Prisão do Estado, de tenebrosa fama, a qual Napoleão Bonaparte mandaria abater pedra por pedra, só restando hoje a sua memória funesta num bloco de pedra sobrevivente da mesma encrostado numa parede da estação de metropolitano, La Bastille, em Paris. Diz-se que o jovem Delfim veio a morrer aí, aos oito anos de idade, vítima de doença e maus-tratos.
             Com a pressuposta morte do pequeno que deveria ser o rei Luís XVII de França, o conde da Provença, o seu tio Luís Estanislau Xavier (17 de Novembro de 1755 – 14 de Setembro de 1824), após a Revolução tomou o título real de Luís XVIII, restaurando a Monarquia e o Catolicismo, mas cujas alterações profundas eram irreversíveis, acentuadas ainda mais durante o Regime Napoleónico que se seguiu ao Terror.
             Três Correntes Tradicionais concorreram para a Revolução Francesa, desencadeada com o fim de destronar a Flor-de-Lis dos Bourbons e RESTAURAR A VERDADEIRA FLOR-DE-LIS DE AGHARTA, inicialmente trazido a França por Joana d´Arc, a Jina da Arca ou Agharta, como “Donzela de Lorena” e “Dama de Lis”, surgida com a missão de restaurar a dinastia perdida dos reis merovíngios de quem o monarca da sua época, Carlos Capeto o I, descendia (de cuja dinastia saiu a Bourbon). Com o crime perpetrado na Donzela Valquíria sem igual, manifestação deífica do Arcanjo Mikael, só por ser de Catarina ou Cátara, “Pura”, mais do que por motivos políticos, por franceses e ingleses, havia um pesado dividendo, um gravíssimo Karma a pagar, o que veio a acontecer na Revolução Francesa através da acção oculta das ditas três Correntes Tradicionais:
             1.ª) A Rosacruz Templária de KALEB, de relações próximas com a Ordem de São João de Malta, chefiada pelo Conde Saint Germain (LORENZO PAOLO DOMICIANI) e a sua Contraparte Feminina (Shakti), a Condessa Lorenza Paola Feliciani, os quais actuaram pelo Aspecto PAX da LEI do Eterno, procurando a transformação dos acontecimentos através do amor e da compreensão, o que infelizmente não lograram devido à resistência oposta pelos principais implicados. Já antes o digníssimo Conde e Preclaro Adepto havia alertado os monarcas francesas para a tragédia próxima, que não lhe deram ouvidos e deixaram a situação arrastar-se a um mar de sangue onde acabou se misturando o deles…
             2.ª) A Maçonaria Copta de LUXOR, de proximidades com a Igreja de São João dos Padres do Deserto, dirigida pelo Grão-Copta o Conde Alexandre Cagliostro acompanhado da sua Contraparte Feminina, a Condessa Serafina Paola Feliciani, tendo agido pelo Aspecto LEX da LEI do Eterno na faina implacável de destruição da flor-de-lis dos Bourbons, símbolo de injustiça e tirania, e restauração da verdadeira FLOR-DE-LIS DE AGHARTA, expressiva da CONCÓRDIA E DA CONSCIÊNCIA UNIVERSAL. Assim, trabalharam sempre e incansavelmente para depor a nobreza decadente que gastava fortunas incomensuráveis em festas e mais festins enquanto o povo, miserável e faminto, perante tanta fartura e esbanjamento, amontoava-se junto às grades do palácio de Versailles suplicando aos de dentro uma simples côdea de pão… recebendo em resposta risos e chacotas.
             3.ª) A Franco-Maçonaria, herdeira simbólica ou tradicional da primitiva Ordem dos Templários, dirigida pelo Conde José Bálsamo, co-irmão de Cagliostro e que actuava como Aspecto EXECUTIVO da mesma LEI DIVINA, exercendo a sua acção vingadora sobre o clero e a realeza, tanto por causa da destruição do Templo como pelas consequentes perseguições e injustiças que essas duas classes haviam promovido desde então aos seus opositores. A Franco-Maçonaria tinha ramificações por toda a Europa, particularmente na Alemanha onde actua como Franco-Juíza, a qual esteve na direcção da sanha sangrenta em que desfechou a Revolução Francesa, cujo auge mereceu o justo epíteto de Terror.
             SAINT GERMAIN – LORENZA – CAGLIOSTRO (Mercúrio – Vénus – Marte) formaram uma Divina Tríade cuja MISSÃO AVATÁRICA ou REDENTORA seria transformar pacificamente o modelo sócio-político da Europa, a partir de França, “coração” do continente, mas a sede de vingança da Franco-Maçonaria, inimiga declarada do trono e do altar, abortou essa Missão, inicialmente apóstola da concórdia entre todas as classes e iluminadora das inteligências, aprimorando o Carácter e a Cultura do Colectivo Humano procurando levar à transformação verdadeira de dentro para fora (jamais o inverso…) do Homem.
             Adianto, ainda, que na época essa Divina Tríade representava o próprio GOVERNO OCULTO DO MUNDO (G.O.M.), em cuja cumeeira está o próprio Imperador Universal ladeado dos seus dois Ministros ou Colunas Vivas, com os nomes tradicionais de BRAHMATMA, MAHINGA e MAHANGA.
             Advindo SAINT GERMAIN e CAGLIOSTRO ambos do Oriente (Tibete) para o Médio Oriente (Kaleb e Luxor) e daí para a Europa, a sua Missão aqui era preparar o terreno humano, as mentes, os corações e os corpos dos homens de maneira a estarem condignos com a Parúsia e consequente Nova Era de Paz e Prosperidade para o Mundo, numa derradeira e suprema tomada da Bastilha Universal centralizada no Advento do CRISTO UNIVERSAL em conformidade ao despertamento do CRISTO MÍSTICO em um e todos.
             Será que a sublime Missão desses dois Preclaros Adeptos, Colunas J e B do mesmo CRISTO DE AQUARIUS na Pessoa do “Homem de Manto Vermelho das Tulherias”, isto é, AKDORGE, foi totalmente destroçada? Ou será que ela teve continuidade nos bastidores ou caminhos secretos da História? Inúmeros sinais apontam para esta última opção, distendendo os seus misteriosos fios de aranha de ouro desde França até… Portugal!
             Ademais, segundo informa a Tradição Iniciática das Idades, era função da Divina Tríade SAINT GERMAIN – LORENZA – CAGLIOSTRO preparar os melhores da actual Raça Teuto-Anglo-Saxónica para o ingresso e chefia da futura Raça Euro-Americana, já então tendo a sua Sede Oculta em EL MORO, na América do Norte, enquanto a Raça actual tem o seu Foro Secreto em SINTRA, Portugal, como QUINTO SISTEMA GEOGRÁFICO dando projecção ao subsequente SEXTO SISTEMA GEOGRÁFICO, ou seja, AKDORGE dando lugar a AKGORGE, tal qual, numa “oitava superior”, MITRA-DEVA cede lugar a APAVANA-DEVA, pois que Estes são BUDHAS REALIZADOS manifestando-se por Aqueles, BODHISATTVAS DE REALIZAÇÃO.
             Certamente por essa razão oculta e mesmo antes de rebentar a Revolução em França, decerto já prevendo esta por estarem ao par dos planos secretos da sua urdidura, é que CAGLIOSTRO veio a PORTUGAL em 25 de Abril de 1787, e SAINT GERMAIN em 1788, por diversas razões que não vêm ao caso apontar, excepto essa de criarem condições propícias ao recebimento de algum sobrevivente do holocausto próximo da família real francesa.
                 Mas terá havido algum sobrevivente dentre os membros da família real que foram presos e recambiados para a Bastilha? Não poucos indícios apontam que sim e na direcção do Delfim Luís Carlos Capeto, à volta do qual se criaram mitos realengos de advento um pouco por toda a Europa e até nas Américas.
             Contudo, o mito da sobrevivência do Delfim de França parece ter sido esboroado no dia 20 de Abril de 2000, com a revelação dos resultados do exame de ADN a um fragmento de menos de um grama do coração dessecado da criança que morreu na Bastilha, conservado numa urna na cripta da família real na Basílica de Saint-Denis, Paris, sendo comparada a sua assinatura genética com uma mecha autenticada dos cabelos de Maria Antonieta, e, para maior segurança, comparou-se esses resultados com os obtidos em duas irmãs dessa rainha e em dois membros actuais dessa família: todos os dados concordaram entre si, indo confirmar tratar-se do próprio Luís Carlos Capeto de Bourbon, pelo menos no entendimento médico-legal, pois que no plano da investigação histórica a aparência nunca é sinónima de concludência.
             O ADN é a abreviatura de Ácido Desoxirribonucleico e é onde está contida toda a nossa informação genética. Na investigação histórica, que assenta frequentemente na pesquisa em descendentes da pessoa que se pretende identificar, o ADN mitocondrial é o tipo de ADN mais importante, uma vez que é herdado em linha directa exclusivamente através da mãe. Este ADN contém as sequências fáceis transmitidas de uma geração a outra, quase não sofrendo mutações e nunca se misturando aos genes do pai. Porém, ressalve-se, o ADN não constitui uma resposta milagrosa a todos os problemas de identificação, dado que possui limitações. No caso de catástrofes com milhares de vítimas, em que os corpos estão em muito mau estado, acaba por ser extremamente difícil, se não quase impossível, proceder à sua identificação. Há também que ter em conta as estruturas de que cada país dispõe para efectuar este tipo de exame e, em alguns casos, os motivos de saúde pública que levam as vítimas a serem enterradas com a maior brevidade possível.
             De maneira que a escolha do método de identificação a utilizar tem, assim, de ter em conta as condições em que essa identificação vai ser feita. No caso da identificação do Delfim de França, o teste de ADN revela-o inquestionavelmente como filho de Maria Antonieta, mas nada diz da paternidade do menino, lendo-se no relatório: “ESTE ADN NUNCA SE MISTURA AOS GENES DO PAI”. Donde se conclui DESCONHECER SE LUÍS XVI ERA REALMENTE O PAI DO MENINO MORTO NA BASTILHA, e assim continuando de pé, com toda a legitimidade das dúvidas não esclarecidas, a tese de MARIA ANTONIETA, universalmente famosa pelas suas frivolidades sexuais, ser MÃE DE FILHO DE PAI INCÓGNITO.
             Fica provado à saciedade que na Bastilha morreu um filho de Maria Antonieta, e fica a improvada à saciedade que o filho legítimo de Maria Antonieta e Luís XVI foi quem realmente morreu na prisão. Assim, a história volta ao início e o enigma mantém-se…
             Igualmente mantêm-se indesmentíveis as inúmeras profecias antes e após a pressuposta “sobrevivência e fuga do Delfim”, como essa de São Cesário (470-542) vaticinando sobre a Revolução Francesa: «Os Capetíngios tremem, ignominiosamente traídos, e a criança predestinada é impelida ao exílio por uma soldadesca furiosa…». Ou essa de Miguel de Nostradamus na sua Epístola a Henrique o Invencível, referindo-se à Revolução Francesa e ao Delfim filho de Maria Antonieta: «E haverão dois, um que não teve o mesmo pai…».
             Essa frase enigmática de Nostradamus vem a ser clarificada no livro manuscrito sobre a vida do chamado Delfim de Évora, escrito no início do século XX pelo falecido professor José Cerqueira Moreirinhas. Segundo este autor, o Delfim teria sido arrancado secretamente do cárcere no dia 19 de Janeiro de 1794, escondido sob a roupa suja num grande cesto de verga e posto no seu lugar uma criança doente, raquítica, transportada para ali da Escola de Cirurgia parisiense e introduzida na cela dentro de um cavalo de papelão. Assim sendo, e ante as provas médicas recentes, deduzo que possivelmente seria um desses deserdados da sorte abandonados pela mãe, a própria rainha Maria Antonieta, aos infortúnios do mundo, e como talvez fosse parecido com o Delfim, foi feita a sua troca em segredo.
             Ainda segundo o professor José Moreirinhas, poucos, excepto o carcereiro Simon (sapateiro de ofício) e sua mulher, Marie Jeanne Aladame, conheciam de perto o infante. Talvez por isso escassos tenham dado pela troca. Enquanto Simon distribuía rodadas de vinho aos seus colegas carcereiros e restante guarnição, embriagando-os, a sua mulher carregava discretamente o cesto de verga para uma carroça fora dos muros da prisão, conduzida por um indivíduo misterioso de nome Ojardias (nome esquisito, mas que para mim é o anagrama português de Jaro ou Jairo Dias). Depois os três desapareceram na noite, sem deixar rasto, abandonando para sempre a tormenta de França e dando começo ao mistério do desaparecimento do Delfim.

             Esta história recambolesca viria a ser contada pela própria Marie Aladame na primeira pessoa, abonada por pessoas da maior credibilidade, dentre as quais quatro freiras da Congregação de S. Vicente de Paula, em Paris, que conviveram com ela de 1810 a 1819, quando já professava o internato religioso. Essas quatro freiras atestaram o seu depoimento por escrito, e a mulher do sapateiro forçado carcereiro, Simon, repetiu a história da evasão do filho de Maria Antonieta à própria irmã do pequeno evadido, a duquesa de Angoulême, que a visitou no mais rigoroso sigilo.
             Quem teria arquitectado a fuga do Delfim de França seria a própria ORDEM DE MALTA, por intermédio do cardeal Emanuel de Rohan, na época Grão-Mestre da Ordem, e que não poucos autores apontam como sendo o pai do próprio Alexandre Cagliostro. Ora, segundo a narrativa, Luís Carlos Capeto foi trazido para Portugal, precisamente para a região alentejana de Fronteira, onde mais tarde casaria com uma senhora espanhola de apelido Vasconcelos, união da qual resultaram filhos que deram origem à muito pequena e fechada família dos Capetos, que reside principalmente em Fronteira e Borba, por «acaso» antigos domínios da Ordem de São João de Malta.
             Perto daí está Vila Viçosa, espaço ducal e real, singificativamente frequentada desde o começo pela família Capeto portuguesa, particularmente a sua igreja da Senhora da Lapa, que não se foi o lugar escolhido para o casamento do Delfim exilado, mas sei que defronte a ela está o Cruzeiro do Carrascal, com a Serpente da Sabedoria enroscada nele, exemplar iconológico raro no país e que, além de ser referência bíblica à Serpente de Moisés, é também e sobretudo emblema hermético dos SERAPIS ou “Senhores do Seio da Terra” (Lapa), que se sabe universalmente ser o adoptado para “ex-libris” de CAGLIOSTRO.
             Tive a oportunidade feliz de conhecer a família Capeto de Borba, em Abril de 1990. O seu biógrafo, Marco António Capeto Coelho, conta terem recebido, em 31 de Agosto de 1985, uma carta do conde Xavier de Roche du Teilloy, professor da Universidade Católica de Paris e autor dum livro com o título Luís XVII, no qual diz ter o Delfim de França casado em Portugal em 1803, com a idade de 18 anos, recebendo a protecção de D. João VI, que na ocasião lhe fez uma grande doação de terras. O acordo dessa doação da Coroa Portuguesa ao Delfim teria sido assinado no palácio ducal de Vila Viçosa.
             O escritor francês considera essa fase da vida de Luís XVII como a mais feliz, adiantando ter o Delfim visto nascer o seu primeiro filho em 1804 no nosso país, sendo desse casamento que descendem os Capetos portugueses.

Cruzeiro do Carrascal, em Vila Viçosa

             Marco António Capeto conta ainda que no início do século XIX os Capetos surgiram, subitamente, em Portugal, como se não tivessem antepassados no país. Apareceu, na povoação de Fronteira, um senhor chamado Copetto, mas esse senhor Copetto era filho de ninguém!... Embora na altura os registos de nascimentos fossem muito minuciosos, inserindo a ascendência até aos avós, todavia neste caso nada consta sobre os seus antepassados. Os filhos desse senhor Copetto passaram a chamar-se Capeto, sendo interessante o facto de coincidir com as Invasões Francesas a Portugal o uso do nome Copetto, como se tais pessoas pretendessem esconder algo de perigoso para as suas vidas, passando a chamar-se Capeto logo que o perigo passou.
             Tudo isto tão-só significa, em supremo remate e sendo verídico o facto, que em 1990 o varão primogénito da família Capeto portuguesa, senhor José Capeto, descendia em linha directa e masculina de Luís XVI através do Delfim Luís Carlos, pelo que nada mais era que o ascendente legítimo ao desocupado trono de França, o verdadeiro candidato à Coroa dos Capetos com que o grande rei Hugo foi coroado no ano 987 d.C., cuja linhagem recua ao século V com o baptismo cristão do rei Clovis, o que não deixa de associar-se à Linhagem Perdida (antes, escondida…) de Jesus Cristo e Maria Madalena.
             O Delfim de França, na altura em que o conheci, era um português alentejano de 77 anos de idade, contabilista de profissão por não puder ser rei.

É como disse o senhor Roche du Telloy, na carta endereçada à supradita família: «A ascendência de Luís XVI, o “Rei Mártir”, e de seu filho Luís XVII está representada pela família Capeto de Portugal, que, por direito, é a actual Casa Real de França. Por direito vós (família Capeto de Portugal) sois todos Príncipes e Princesas de França».


 O distinto professor francês contou ainda que, antes de passar a Portugal, o Delfim ficou ainda algum tempo no Oeste de França, na Bretanha e na Vandeia, editando-se nessa altura uma gravura com o seu rosto e um “Coração de Jesus” acorrentado, mais precisamente pelos fins de 1795, altura em que é composta a Canção do Delfim, que todo o bretão sabia de cor e salteado.
                 Em Portugal, Luís XVII ter-se-á relacionado com um sapateiro de Elvas que o acolheu. Este sapateiro e o outro que o resgatou ao cárcere, deixam-me muitas dúvidas. Estou em crer que o mesmo ofício de ambos seja sobretudo um designativo simbólico encoberto de um Grau Profético ou Bandárrico da Ordem dos Cavaleiros do Espírito Santo, facção saída da Ordem de Malta e com forte sabor Maçónico, tal vez relacionada a essa Corrente Gnóstica na altura chamada Sagrado Coração – Grande Ocidente.
             Vários e destacados membros da nobreza francesa pertenceram à Ordem dos Cavaleiros do Espírito Santo, como foi o caso do duque de Orleans, Louis Philippe Egalité (nascido no castelo de Saint-Cloud em 13 de Abril de 1747, e morto na guilhotina em Paris, em 6 de Novembro de 1793), em cujo retrato num quadro pintado conservado no Museu do conde de Chantilly, é visto portando as insígnias dessa Agremiação juntas a um esquadro e um triângulo maçónicos, alusivos à Ordem do Sagrado Coração – Grande Ocidente.

          Ora o GRANDE OCIDENTE do continente europeu é a LUSITÂNIA, como “Lugar da Luz” (Mental), e o SAGRADO CORAÇÃO do mapa antropognoseológico da Europa é precisamente a FRANÇA, cujo Restaurador da mesma haverá de sair de Portugal, segundo as profecias francesas sobre o GRANDE MONARCA, com um certo número delas mencionando o Sang de la Cape, o sangue esquecido da linhagem dos Capetos, o que parece dar fundamento profético às pretensões dos Capetos portugueses.
             Mas esse MONARCA UNIVERSAL é-o, pois, de TODA A TERRA, não só de um ou dois países, ou desta ou aquela organização (acreditar no contrário é disparate completo), pois Ele está acima e aparte de tudo isso por ser a precisa manifestação cíclica do ESPÍRITO DE VERDADE, o Senhor Soberano do Mundo, MELKI-TSEDEK, pelo que o Sangue Real de BORGONHA (Português) e de CAPETO (Francês) é tão-só a representação física e simbólica da Dinastia Eleita ou a ELITE DO AVATARA neste GRANDE OCIDENTE (unindo a Mente, Portugal, ao Coração, França, assim se realizando a Eucaristia das Nações) no qual, segundo as profecias seculares e até milenares, tanto nacionais como estrangeiras, haverá de implantar-se o SOBERANO IMPÉRIO DO DIVINO ESPÍRITO SANTO, para quem todas as Ordens Iniciáticas de França e da restante Europa trabalharam na altura… havendo ainda quem persiga a materialização desse Sonho Maior aqui mesmo, em Portugal.
             É como disse Nostradamus:
             Do mais fundo do Ocidente da Europa,
             De pobres gentes um Menino nascerá,
             Que por sua língua seduzirá grande grupo,
             Sua fama no reino d´Oriente mais crescerá.
                                                     Centúria III, XXXV
             Trata-se, afinal, do Avatara ou Messias que os judeus ainda esperam na Sua forma humana e O qual, colectivamente, é o ECCE OCCIDENS LUX como o GRANDE OCIDENTE IBERO-AMERÍNDIO que tem, enfim, por alter-ego a tanto “Cristianíssima” quanto “Budíssima” AUGUSTA E SOBERANA ORDEM DO SANTO GRAAL.
OBRAS CONSULTADAS
A Ordem de Malta e o Mundo. Direcção de Martim de Albuquerque. Edições Inapa, S.A., 1998.
A Revolução Francesa. Lello & Irmão Editores, Porto.
Adrião, Vitor Manuel, Lisboa Secreta (Capital do Quinto Império). Via Occidentalis Editora Lda., Lisboa, Abril de 2007.
Branco, Camilo Castelo, Compêndio da vida e feitos de José Bálsamo. Livraria Chardron, Porto. O autor recebeu a encomenda e o prefácio desta obra dos jesuítas portugueses, a mando de Roma, destinada a denegrir pela infâmia Cagliostro e a sua esposa Serafina, cujo nome ele troca por Lorenza: neste livro oitavado o Insigne Adepto é descrito como embusteiro e gatuno, e a sua digníssima Contraparte como cúmplice e meretriz. Por ter escrito este livro com plena consciência da injustiça que cometia lesa-Lei, e ignorando os avisos do notável Guerra Junqueiro, Preclaro Membro da ORDEM DE MARIZ, para que não o escrevesse, o autor acabou ensandecendo e suicidou-se com um tiro de pistola na cabeça pouco tempo depois. Esta obra só vale pelas referências históricas à presença do Conde e da sua esposa em Lisboa, vindos de Itália para Santiago de Compostela e daí descendo à capital portuguesa.
Cagliostro, Ritual de Maçonaria Egípcia. Editora “O Pensamento”, São Paulo.
Cooper-Oakley, Isabel, O Conde de Saint Germain. Editora “O Pensamento”, São Paulo.
Dias, Carlos Malheiro, O Grande Cagliostro. Livraria Bertrand, Lisboa. Nesta «novela romântica» o autor prossegue a triste escola de difamação e estropio da honra e pessoa de Cagliostro, iniciada por Camilo Castelo Branco.
Dumontier, Michel, Sur les pas des Templiers à Paris et en Ile de France, capítulo Le Mystere Louis XVII. Edition Copernic, Paris, 1991.
Germain, Conde de Saint, A Santíssima Trinosofia. Thot Editora, Brasil.
Guénon, René, Études sur la Franc-Maçonnerie et la Compagnonnage, volumes I-II. Editions Traditionnelles, Paris, 1983.
Haven, Marc, Cagliostro – O Grande Mestre do Oculto. Madras Editora Ltda., São Paulo, 2005.
Lucíola, Roberto, A Marcha das Civilizações. Revista “Aquarius”, n.º 24, 1981, Rio de Janeiro.
Mendanha, Victor, A vida misteriosa do chamado “Delfim de Elvas”. Matutino “Correio da Manhã”, 28 e 29/4/1990, 13 e 14/5/1990. Desconheço haver outros textos jornalísticos do autor sobre o assunto, pois os publicados nas datas indicadas são os únicos de que disponho.
Souza, Henrique José de, Cagliostro e São Germano. Revista “Dhâranâ”, 28-9-1941, São Paulo.
Wenzler, Claude, Généalogie des Rois de France. Editions Ouest-France, 13, Rue du Breil, Rennes.

(Fim de citação)

Nota: Este artigo foi publicado no fórum Lusophia. sendo aqui reproduzido integralmente, embora desprovido das respectivas imagens.
_____________________________________________________________________



Considerações e reflexões...


Marco António Capeto conta ainda que no início do século XIX os Capetos surgiram, subitamente, em Portugal, como se não tivessem antepassados no país. Apareceu, na povoação de Fronteira, um senhor chamado Copetto, mas esse senhor Copetto era filho de ninguém!... Embora na altura os registos de nascimentos fossem muito minuciosos, inserindo a ascendência até aos avós, todavia neste caso nada consta sobre os seus antepassados. Os filhos desse senhor Copetto passaram a chamar-se Capeto, sendo interessante o facto de coincidir com as Invasões Francesas a Portugal o uso do nome Copetto, como se tais pessoas pretendessem esconder algo de perigoso para as suas vidas, passando a chamar-se Capeto logo que o perigo passou.

Será tal e qual assim…?!  O senhor Copetto, que representa a geração na qual se dá a transição dos “Copettos” para os Capettos, não era propriamente "filho de ninguém". Era, na verdade, António Maria da Veiga Copeto, cuja ascendência se apresenta mais abaixo.
A genealogia dos Capettos (ou, se quisermos, de Capeto – fazendo uso do português erudito) de Fronteira e Borba não deixa margem para dúvidas de que nenhuma relação existe entre os Capetos, descendentes de Luís XVI, e Capetos portugueses. Não obstante tal facto, sabe-se que os Capetos de Borba descendem dos Copetos de Fronteira. A prova documental, com base em fontes fidedignas e oficiais, desmistifica o pressuposto de base desconhecida, que se propagou durante vários anos pelos quatro cantos do mundo, de que Luís Carlos Capeto - o Delfim francês, mais conhecido por Luís XVII, teria sido trazido, secretamente, para Portugal após o período que esteve enclausurado na Bastilha, fixado residência e deixado descendência no nosso país que seguiu com o apelido do grande Hugo Capeto, rei dos Francos, que viveu no século X e terá sido o fundador da dinastia Capetiana. Paralelamente a esta teoria surgiram, sensivelmente no mesmo período, embora alguns façam referência a ditos e contraditos de décadas, outras teorias entre as quais uma que defendia que o Delfim francês teria dado entrada em Portugal, através dos Açores, e que teria casado com uma senhora de apelido Vasconcelos e fixado residência na zona de Elvas. Existe, ao que tudo indica, uma outra teoria que nos remete para Elvas. Essa mesma refere um tal Augusto César de Vasconcelos como o próprio Luís XVII.
Infortunadamente para alguns, os indivíduos que teoricamente foram tidos por muitos como Luís Carlos Capeto, o Delfim de França, tinham efectivamente ascendência portuguesa. A essa conclusão terá chegado, há uns anos, o ilustre genealogista borbense António Filipe Rosado, que visou provar a inconsistência das duas teorias, nomeadamente através de um estudo exaustivo, sustentado pelas fontes paroquiais. O apelido Capeto, usado na zona de Fronteira, Borba e arredores, não deu entrada em Portugal no início do séc. XIX, como os tais autores que defenderam a tese do Delfim português fantasiosamente sugeriam. Sabe-se, através dos registos paroquiais, que o apelido Copeto já era usado na região de Fronteira na primeira metade do séc. XVII, e que, curiosamente, derivou no início do séc. XIX para Capeto, como corruptela mais ou menos intencional, possivelmente por influência do contexto sociopolítico gerado pelas invasões francesas ou, eventualmente, pelo simples e puro oportunismo de alguém que, perspectivando as semelhanças dos dois apelidos, procurou facilidade e rapidez na ascensão social e/ou um aproveitamento político da situação.
Uma investigação séria e documentada em torno da ascendência e linha varonil do actual representante da linha Capeto de Fronteira – o mesmo que, no artigo da autoria de Vitor Manuel Adrião, é referido como o legítimo herdeiro do trono de França por descender, no dizer do referido autor, por linha recta e varonil, de Luís XVII – o Delfim de França, veio a provar a inconsistência da teoria do Delfim português. São os elementos que resultaram dessa investigação que aqui se apresentam.
Além disso, e se alguma dúvida ainda houvesse, os testes de ADN entretanto realizados a partir do coração que os médicos retiraram à criança falecida na prisão Temple aos 10 anos de idade, e que se conservava desde a respectiva autópsia, em comparação com o ADN retirado do corpo de vários membros vivos e mortos da família real, incluindo cabelos de Maria Antonieta, vieram provar que a criança falecida de tuberculose na prisão era efectivamente o legítimo herdeiro da coroa francesa.  Naturalmente que haverá sempre quem alimente a história por outra bica, ou seja, sendo por demais conhecidas as impetuosidades sexuais de Maria Antonieta colocou-se então, em meu entender de forma quimérica e absolutamente romanesca, a possibilidade de a criança que morreu no cárcere ter sido, de facto, um filho abandonado, doente e debilitado de Maria Antonieta, fruto de um dos seus vários relacionamentos extraconjugais que, com o propósito da troca, o foram buscar a uma instituição de recolhimento – o que viria a justificar os resultados da análise de ADN, tanto mais que as mesmas apenas provam ser o encarcerado filho de Maria Antonieta.
Não será de estranhar, com efeito, que na época em que a França ocupava uma posição determinante na estrutura geopolítica europeia, tal enigma tenha vertido tanta tinta e convertido tanta gente, uns à crença e outros à descrença. Em contrapartida estranha-se que nos tempos que correm ainda existam pseudo-historiadores que fazem ciência com base em técnicas empiristas, na crença popular, e sem o mínimo porte científico, quando deviam antes dedicar-se à literatura novelesca ou fantasista.


(artigo do autor do blogue)

Linha “Capeto” a partir de José Francisco Capeto Júnior, que se encontra na linha ascendente e varonil do Capeto (alegado descendente de Luís XVII) – CASO “DELFIM DE ÉVORA”


José Francisco Capeto Júnior, n. 14.9.1893 – S. Bartolomeu de Borba, casado na Matriz de Borba a 3.5.1920 com Vicência Maria Chamorra Carvalho.
Filho de:
José Francisco Capeto, n. 17.9.1839 – Atalaia de Fronteira, casado na Matriz de Borba a 20.11.1911 (depois do nascimento dos seus filhos que, após o casamento, foram legitimados) com Maria Vicência Ferreira.
Neto de:
António Maria da Veiga Copeto, n. 23.7.1809 – Atalaia de Fronteira, casado na mesma freguesia a 25.11.1838 com Mariana Rita.
Bisneto de:
João Rodrigues Copeto, n. 28.1.1758 – Atalaia de Fronteira, casado em Fronteira a 19.11.1795 com Antónia Lúcia da Veiga.
Trineto de:
António Rodrigues Copeto, n. 1.11.1729 - Atalaia de Fronteira, casado na mesma freguesia a 28.8.1754 com Maria Joaquina.
Tetraneto de (perda de varonia):
João Rodrigues, casado na Atalaia de Fronteira a 22.3.1725 com Joana Martins Copeta, n. 25.5.1687 – Atalaia de Fronteira.
5.º Neto de:
Manuel Dias Copeto, n. 18.5.1659 – Atalaia de Fronteira, casado a 16.9.1681 na mesma freguesia com Isabel Lopes.
6º Neto de:
Manuel Gomes Carrão e de Maria Dias Copeta, casados na Atalaia de Fronteira a 1.11.1654.

Excerto do processo de dispensa matrimonial de João Dias Copeto e Joana dos Santos Freire
Linha ascendente e varonil de Augusto César de Vasconcelos “o Delfim de Elvas” (alegado Luís XVII)

Augusto César de Vasconcelos, n. 6.6.1785 – S. Martinho de Pindo – Penalva do Castelo, casou a 11.7.1810 na Sé de Elvas com D. Maria Eufémia de Carvalho, filha do Tenente Baltazar Nunes de Carvalho e de D. Ana Joaquina Maurícia.
Filho de:
João de Castro Vasconcelos, que casou com D. Maria Joana da Conceição.
Neto de:
Luís de Castro de Vasconcelos e de D. Ana de Eça Mendonça Portugal

Links sugeridos sobre o tema:

Boletim n.º 1 (1990) do Instituto Luís XVII (com referência aos Capetos portugueses)


Galego... que galego?

Registo um caso que exorta à reflexão sobre a forma como, em determinadas circunstâncias, somos induzidos em erro a partir do "conta-se que..." e com base nesse pressuposto empírico desenvolvemos algumas deduções que, precipitadamente, introduzimos  sob a forma de informação no domínio público sem a prévia e necessária  confrontação com as fontes escritas e documentais.
Há um tempo atrás, o jornal “Correio da Manhã” – edição do dia 3 de Fevereiro de 2008, publicou um artigo com o título “Galegos de sucesso”. Nesse artigo foi feita alusão a vários indivíduos descendentes de galegos que, pelos trâmites da vida que construíram, muitas vezes a pulso, desenvolveram carreiras de sucesso. Um dos indivíduos aludidos era o Dr. Henrique Granadeiro, na altura presidente executivo da empresa Portugal Telecom, sendo que o referido artigo fazia também referência ao seu avô “Zé Galego”.

(artigo do autor do blogue)
_____________________________________________________________________
(Início de citação)
HENRIQUE GRANADEIRO
Uma herança que fizeram questão de passar de pais para filhos, mesmo depois de ultrapassada a barreira da sobrevivência. “Cheguei a trabalhar como um galego”! Quem fala assim é hoje presidente da Portugal Telecom. Henrique Granadeiro não é galego, mas era-o o seu avô materno, imigrante nas terras argilosas “da área compreendida entre Sousel e o Alandroal”.
Foi ali que o jovem Henrique cresceu, educado segundo a convicção galega – e também alentejana – de que era no trabalho que se faziam os homens. Para ele, o que realmente distingue a mentalidade vinda da Galiza é a crença “de que o caminho da libertação do homem é a aquisição do conhecimento”. Assim, “o investimento das famílias” era colocar os filhos na escola, apostar na obtenção do canudo. Granadeiro acredita que, sem isso, “a evolução natural” no seu percurso de vida teria sido tornar-se “tractorista”.
À aposta nos estudos, a educação galega mandava que se somasse uma iniciação precoce à dureza da labuta: “Quais férias?! Às vezes, só estava à espera que estas terminassem para largar o trabalho. Entre as ceifas e debulhas no Verão e a apanha da azeitona no Inverno, venha o diabo e escolha”, desabafa o presidente da PT.
Por esta altura, já Zé Galego, o avô, desaparecera. Dele guarda apenas uma imagem “nebulosa”, a lembrança da figura de “um ancião sentado numa cadeira com um ar patriarcal”. Tem ideia que se tratava de “um homem muito lutador”, uma opinião que estende a todo um povo, caracterizado, a seu ver, por uma “grande autonomia pessoal”.

O AVÔ GALEGO DE HENRIQUE GRANADEIRO
A herança galega já lhe chegou indirectamente por via do seu avô materno, que por terras alentejanas era conhecido como o ‘Zé Galego’. Na verdade, chamava-se José Fusco, apelido que manteve antes do ‘Granadeiro’ alentejano de seu pai. À diferença de tantos outros galegos, o avô não emigrara para a cidade. Optara antes por “uma região de minifúndios” semelhante àquela que deixara para trás, “fugindo à miséria”.
 (fim de citação)

Nota: Este texto foi extraído da edição online do jornal Correio da Manhã e corresponde ao publicado num artigo do dia 3.2.2008. 
Fonte: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/outros/domingo/galegos-de-sucesso
_____________________________________________________________________

Ora, esse tal “Zé Galego”, avô materno do Dr. Henrique Granadeiro, chamava-se na verdade José Manuel Fusco e, embora fosse conhecido como “Galego”, de galego não tinha nada, a não ser, eventualmente, algumas semelhanças no estilo de vida, sendo pessoa muito dedicada ao trabalho. Na melhor das hipóteses, poderia ter uma ascendência galega remota que não parece ter sido motivo para o surgimento da referida alcunha. Tinha, efectivamente, um bisavô nascido em Olivença, que na data do respectivo nascimento seria ainda legalmente considerada território português.


A ascendência de "Zé Galego"
José Manuel Fusco "Zé Galego" nasceu a 18.6.1878 em Rio de Moinhos, era filho de Manuel Joaquim Fusco e de Maria Isabel Lobinho, ambos de Rio de Moinhos, aí casados em 1862.
Era neto paterno de José Joaquim Correia Fusco, nascido em Elvas e de Maria Joana, natural de Vila Viçosa.
O seu avô, José Joaquim Correia Fusco, era filho de António José Correia Fusco, natural de Olivença, e de Luísa Rita Palmeiro, natural de Vila Viçosa.
A sua avó, Maria Joana, era filha de José Bernardo, natural de Évora, e de Joana Rita, natural de Vila Viçosa.
Era neto materno de António Joaquim Lobinho, natural de Bencatel – Vila Viçosa, e de Maria Isabel, natural de Rio de Moinhos, casados aí a 9.11.1845.
O seu avô, António Joaquim Lobinho, era filho de Francisco António Lobinho, natural de Bencatel, e de Maria do Carmo, natural da Azaruja, casados em Bencatel a 1.11.1812, neto paterno de Joaquim Gomes Lobinho e de Ana Gertudes, ambos de Bencatel, bisneto respectivamente de Francisco Gomes e de Catarina Josefa Loba, ambos de Rio de Moinhos, e de Salvador Pereira e de Joana Vitória, ambos de Bencatel.
A sua avó, Maria Isabel, era filha de Manuel Pereira, nascido na Orada em 1792, e de Rosália Maria Calado, nascida em 1800 em Rio de Moinhos, neta paterna de João Pereira e de Valentina Inácia, ele de Rio de Moinhos e ela de Bencatel, neta materna de Francisco Manuel Calado, natural da freguesia do Canal – Estremoz, e de Isabel da Encarnação, de Rio de Moinhos.
Mas...afinal, quem disse que o senhor era galego?

Já agora, que não passe pela cabeça de alguém ir à procura da ascendência oriental do Sr. Pinéu, de Bencatel, de olhos "meio rasgados" e especialista na arte de "repor os ossos no devido lugar"... mais conhecido por "Chinês"!

(artigo do autor do blogue)


_____________________________________________________________________



Memórias de um julgamento sensacional



(Clique nas imagens para maximizar)



(Artigos publicados no Jornal "Brados do Alentejo" nº 92 de 30.10.1932, n.º 93 de 6.11.1932, n.º 94 de 13.11.1932 e n.º 95 de 20.11.1932)






Baptismo de um mouro na Sé de Évora


Arquivo Distrital de Évora, Registos Paroquiais, Évora - Sé, L. 35, fl. 26
(Cortesia de Luís Jaime Rodrigues Martins)


A ama-de-leite do 1.º Duque de Cadaval D. Nuno Álvares Pereira de Melo...




Em tempos, por mero acaso, quando procurava documentar os “Carvalhal” de Évora e arredores, ao consultar um processo de Habilitação de Génere (Ordens Menores), deparei-me com uma informação que me pareceu de alguma relevância histórica e, como tal, tirei alguns apontamentos. Trata-se da revelação do nome da senhora, Úrsula Padrão Ferreira, que fora ama-de-leite e ajudara a criar D. Nuno Álvares Pereira de Melo, 1.º Duque do Cadaval, filho de D. Francisco de Melo, 3.º marquês de Ferreira. Certamente por ter sido “tão bem nutrido” o dito  duque tenha arranjado energia para conceber pelo menos 16 filhos, de 4 mulheres.


(ADE, Ordens Menores, Proc. 340, Mç. 10) – Gaspar do Carvalhal Padrão (1649)

O ordinando era filho de Sebastião do Carvalhal Soares, escrivão do Auditório, e de Úrsula Padroa Ferreira, neto paterno de Gaspar de Carvalhal e de Maria Soares, neto materno de Pedro Padrão e de Graça de Aguiar. O pai do ordinando, Sebastião de Carvalhal Soares, era irmão do Pe. António de Morais de Carvalhal, natural de Vila Nova de Anços, que foi prior em Vila Alva.

Refere uma das testemunhas, Gabriel Correia, sangrador, morador na cidade de Évora, na Rua da Selaria, de 50 anos:

“E avidos por legitimos christãos velhos sem rassa alguma de judeu, mouro, mourisco, christão novo, negro, mulato, infiel, nem de outra nassam reprovada. E isto igualmente de todos sem fama nem rumor do contrário e elle testemunha nesta conta os tem e teve sempre. E que o dito pai do ordinando teve aqui hum irmão clérigo de mª, do hábito de Sam Pedro, que foi beneficiado em São Thiago desta cidade e depois disto prior em Vilalva. E disse elle testemunha que a mai do ordinando fora ama e criara e dava de mamar ao Duque do Cadaval que (…) he fora o que precederam muitas informaçõis que se fiseram por parte do marquês de ferreira, pai do dito Duque, que por achar que era gente muito limpa a elegeo por ama de seu filho o Duque. E perguntado de (…) disse que o ordinando nam tem impedimento algum , que todos lhe eram declarados pello Senhor provisor. E disse que o ordinando está autualmente servindo e (…)  hum benefício em Sam Thiago desta cidade…”

Tal testemunho foi reiterado por outros indivíduos também ouvidos do decurso do processo.

                                                                                                                         (texto do autor do blogue, 19-02-2012)
____